Como tudo começou

No dia 8 de dezembro de 1962, os vicentinos de Maceió fizeram, como de costume, a sua romaria em honra da Imaculada Conceição de Nossa senhora.
Sairiam da Catedral, rezando o terço, em direção á casa do pobre de Maceió, no Vergel do Lago.
Ao atravessarem a rua do comércio, viram um idoso muito pálido que dormia á porta de uma das casas comerciais. Eram 5:30hrs da manhã.
Após a Missa e a comunhão geral dos vicentinos, foi servido o café, pelas Imãs Filhas da Caridade, e realizou-se a Assembléia geral, a primeira do ano eclesiástico, durante qual foi tomada a resolução de se fundar O abrigo São Vicente de Paulo para dar pousada, durante a noite, aos pobres que não tem onde dormir, ajundando-os, na medida do possível a se recuperarem.
Dom Adelmo Cavalcante Machado, Arcebispo de Maceió na época, ao obter conhecimento da resolução dos vicentinos, ficou muito satisfeito e dirigiu a eles palavras de estímulo e orientação.

Fundação

Foi no dia 11 de fevereiro de 1963 - festa de Nossa Senhora de Lourdes - a inauguração do Abrigo São Vicente de Paulo. Era uma segunda feira.
No sábado anterior, Dom Adelmo, Benzeu o prédio, fazendo antes uma expressiva elocução, na qual manifestou sua alegria pela realização desta obra Vicentina e a sua esperança do êxito da mesma que, antes de existir em realidade, já vivia, há muito tempo, no espírito e no coração dos Vicentinos rogando as bênçãos de Deus para o empreendimento dos dicípulos de Frederico Ozanam, em Maceió, e fazendo votos que a obra iniciada conserve sempre o espírito de caridade de São Vicente de Paulo. Benzeu todo o prédio. Eram quase 18h.
No dia 11 (segunda - feira) realizou-se, pouco depois das 20h, uma modesta sessão de instalação do abrigo, á qual compareceram 13 pessoas, entre confrades e simpatizantes foram lidos os estatutos do abrigo, proclamada sua primeira diretoria e declarada sua inauguração.
Naquela noite apenas 3 pobres aceitaram o convite que lhes foram feito de pernoitarem no abrigo.
Desejando profissionalizar os abrigados mais jovens e capazes, promovemos um curso de barbeiro, poucos se interessaram a aprender e apenas 2 ou 3 concluíram o curso.
Posteriormente instalamos uma escola artesanal para a fabricação de cadeiras de ferro e plástico.
A escola artesanal daria oportunidade á formação profissional de muitos abrigados, e se desse bons resultados poderia tornar o abrigo economicamente independente. Entretanto isso não ocorreu. Ainda fizemos a tentativa de formar uma mini-sociedade em que cada sócio entraria em certa importâcia, recebendo uma espécie de "ações" do valor de Cr$ 5,00 cada, e posteriormente receberia caso vingasse o projeto, cadeiras ou outros objetos de ferro e plástico correspondente á quantia subscrita. Mesmo assim, não conseguimos manter a escola. O preço das máquinas era cada vez maior, o material encarecia constantemente, o resultado financeiro não correspondeu, absolutamente, á nossa expectativa. Fomos obrigados á fechar a escola.
Os Estatutos do Abrigo no cartório de Registro de Títulos e Documentos, em 15 de julho de 1966, já tinha sido publicado no Diário Oficial do Estado em 9 de julho deste mesmo ano. Tem, assim, personalidade jurídica.
O decreto municipal n° 441, de julho de 1965, considerou o Abrigo São Vicente de Paulo de utilidade pública. e na lei n° 2984, de 6 de junho de 1969 (lei estadual) o considerou, igualmente, de utilidade pública.
A principal fonte de recursos para a manutenção do abrigo é corpo de contribuintes que com suas doações mensais nos dão os recursos necessários para as despesas ordinárias da Instituição.